Wednesday, July 27, 2005

Lá No Fundo d" A Revolta dos Pasteis de Nata"

Eu gosto do programa...mas devo dizer que fica aquém das minhas expectativas.

Portugal, ou melhor, nós portugueses, sofremos de várias doenças incuráveis.

A maior parece ser a inveja, que nos torna mesquinhos, sempre a sentir-mo-nos injustiçados e desfavorecidos porque no fundo sabemos que procuramos sempre arranjar um buraco, um tacho, uma fatia do bolo.

Nós temos sempre razão, e temos sempre opinião certeira sobre tudo, brincamos com números e com as dificuldades e sentimentos das pessoas e na maioria das vezes nem procuramos perceber o Porquê das coisas...

Depois juntamos uma poção de ignorãncia e de generalização e tiramos conclusões inquebrantáveis: se se apanha um desempregado a não querer trabalhar...tenhos um país de malandros que se n têm trabalho é porque não querem; se os serviços do estado são caros e de fraca qualidade então o estado deve ser substituido por privados; se temos grandes mansões e grandes carros é porque temos um país que dissimula a riqueza; se as pessoas não pagam impostos e "usam" a lei em seu benefício temos más leis; se as pessoas se sentem ameaçadas pela concorrencia da mão-de-obra estrangeira temos um povo de racistas; que os políticos não são melhores porque são mal pagos...pois eu digo que todos estes argumentos são faceis, são verdades pouco verdadeiras, são falácias que servem de engodo para que os portugueses continuem a lutar entre eles pelo seu naco de carne....

Os media são o Coliseu Romano. Os leões estão nas bancadas e o povão no centro da arena....

A verdade é que o 25 de Abril foi um fracasso social.

A verdade é que temos o país europeu com maior desigualdade social (sim, porque a riqueza existe para desejo dos nossos olhos e a pobreza ocultamos para que não os fira); Temos um povo com um temperamento brando (que nos faz choramingar, pedinchar, lamber botas e aceitar atropelos...ao invés de exigir e de cumprir como meio para obter uma vida melhor);

Temos uma economia de mercado onde a iniciativa privada e os empresários querem contribuir o menos possível para o bem público e receber o mais possível de subsídios, apoios à internacionalização etc...para além de pedir que a mão visível do estado os esteja sempre a proteger dos papões estrangeiros (acagaça-lhes a concorrência, pois nunca se preocuparam em investir a médio longo prazo, em marca, qualidade, imagem...apenas se preocuparam em limitar os custos salariais...pois ide para a china onde sereis eleitos os melhores);

Temos um país onde julgo haverem muito poucos funcionáris públicos (dos cerca de 700 mil) que tenham consciência que o salário deve ser função, não do tempo que passa, do movimento estrelar, mas do valor do trabalho produzido;

É por isso que não saberia de imeditato se os políticos, professores, médicos, gestores ganham pouco ou muito...sem avaliar o que produzem, o que acrescentam ao país ou organização.

Mas porque alguns resultados estão à vista, posso afirmar que existem políticos e gestores públicos que ao invés de receberem deveriam pagar...pois contribuem negativamente para o PIB ...Porque provocam ineficiência, porque viciam a concorrência, porque boicotam o acesso dos mais capazes, motivados e competentes aos lugares...

Como não tenho o dia todo, e de que vale ter liberdade para opinar se de nada serve, direi que temos um país de míopes, de bananas e de invejosos...e pergunto-me:

como posso eu gostar tanto de ser Português?

Friday, July 22, 2005

Queca Ecológica


Lá no Fundo... Lá no Fundo a Ecologia é uma paixão.

Queen Revisited

I'm just the pieces of the man I used to be
Too many bitter tears are raining down on me
I'm far away from home
And I've been facing this alone
For much too long
I feel like no-one ever told the truth to me
About growing up and what a struggle it would be
In me tangled state of mind
I've been looking back to find
Where I went wrong
Too much love will kill you
If you can't make up your mind
Torn between the lover
And the love you leave behind
You're headed for disaster'cos you never read the signs
Too much love will kill youEvery time
I'm just the shadow of the man I used to be
And it seems like there's no way out of this for me
I used to bring you sunshine
Now all I ever do is bring you down
How would it be if you were standing in my shoes
Can't you see that it's impossible to choose
No there's no making sense of it
Every way I go I'm bound to lose
Too much love will kill you
Just as sure as none at all
It'll drain the power that's in you
Make you plead and scream and crawl
And the pain will make you crazy
You're the victim of your crime
Too much love will kill you
Every time
Too much love will kill you
It'll make your life a lie
Yes, too much love will kill you
And you won't understand why
You'd give your life, you'd sell your soul
But here it comes again
Too much love will kill you
In the end...
In the end.

(Too Much Love Will Kill You - Queen)

Thursday, March 31, 2005

Polvus Isaltinus

Tirei uns tempos para reflectir. O que aqui digo já não me parece tão importante quanto isso. A importância já não está no que dizemos mas em quem e como percebe o que dizemos...
Ainda assim não posso deixar passar esta personagem feita de ridículo, de pretensão e de sinistro. Isaltino Morais é sem dúvida um expécime supremo do produto dos valores da sociedade em que vivemos. Não julgo ninguém à priori mas do que diz e faz transparece toda a sua capacidade de mover os seus tentáculos, de retirar proveitos, de influenciar, de contornar. Não se notam as parecenças com Valentim?
E o homem escreve sobre Autarcas-Modelo, ele dá palestras e outras tretas, ele ensina! Pasme-se! Que futuro queremos nós quando escolhemos estes modelos e estes veículos de mudança?
Andaremos todos cegos ou LÁ NO FUNDO todos invejamos este sucesso velhaco, trapaçeiro e facilitista?

Thursday, March 24, 2005

A Páscoa

Todos os momentos são bons para parar e pensar. Se puderem olhar à vossa volta vão encontrar uns que vão de férias à quinta-feira e outros que trabalham sábado e até domingo. Vão encontrar pessoas arrastando-se desesperadas. Pessoas que se vêem sem dignidade e sem apoios. Pessoas irrealizadas. Pessoas inteligentes que não encontram o caminho do sucesso. Capital Humano subaproveitado e incompetência promovida. Se parar-mos para pensar, pode ser que, LÁ NO FUNDO, estejamos a fazer alguma coisa para que tudo mude.

Tuesday, March 22, 2005

EUA como modelo

Preocupa-me.
Portugal não está na vanguarda em quase nada. Quando passa num caminho já por lá passaram a maioria dos seus concorrentes. Assim sendo como podemos passar o tempo a ver o nosso futuro, os caminhos que podemos percorrer, e ainda assim, podendo ver as consequências os resultados, possamos permanentemente optar por maus caminhos, por caminhos que vemos já hoje nos levarão ao conflito social permanente, à crise de valores, à injustiça e à desigualdade?
A vantagem de quem segue é poder emendar: porque não seguimos os bons exemplos e emendamos os maus? Como podemos chegar mais longe se assim não fizermos?
Os EUA preocupam-me. Preocupa-me a violência. Preocupa-me a crise de valores. Preocupa-me o desrespeito pela vida humana. Preocupa-me a ignorância de uns líderes e a cegueira de inspiração divina de outros. Preocupam-me os exemplos que disseminam. Preocupam-me as extinções culturais que fazem. Os motivos com que agem. Os adeptos que com facilidade alimentam por todo o mundo. Preocupa-me as armas que têem e usam. Preocupa-me as alianças e os ódios que criam, alimentam e geram. Preocupa-me que sejam eles a construir o ideal ocidental que ficará na História. Preocupa-me o Racismo, a desigualdade de oportunidades, a força.
Preocupa-me que o país das oportunidades, o país do sucesso, do desenvolvimento, dos grandes avanços seja um bolo de muitas camadas e ingredientes, de muita fachada e de muita injustiça, de muitas mentiras e de muitos insucessos. Um bolo temível e invejado.Um bolo repleto de caruncho e de sangue.
Esta reflexão vem a propósito do recente assassínio em massa numa escola americana, como poderia vir a propósito da Querra do Iraque, da contribuição americana para o financiamento da ONU, do protocolo de Quioto, do combate ao terrorismo, das armas de destruição maciça, da pena de morte, do peso da corrente e pensamento de Paul Wolfowitz, do papel na resolução do conflito Palestiniano, das ligações aos interesses judeus, da disseminação de armas entre cidadãos, do papel da Igreja ou de tantas outras questões.
A América não deve ser alvo de ódios ou amores cegos. Mas deve ser compreendida. Compreendida!
Os seus interesses, os seus vícios e os seus ensinamentos!
Pois á luz da História será um modelo tão passageiro como todos os do Passado.

Friday, March 18, 2005

Alma nua

Procuro em ti
Procuro alguém para entrar no meu mundo.
Capaz de dizer sim.
Capaz de fraquejar e sentir fundo,
capaz de entender e de vencer.
Procuro o princípio, o meio e o fim.
O sal, a areia... o vento, em mim.
Quero crescer
em ti,
quero dar a sentir,
quero dar o sentido.
Partir, colar, sonhar acordado
em ti.
Voar, nadar, viver em ti.
LCRM

Thursday, March 17, 2005

Palavras Todas

Aqui na Terra a fome continua
A miséria e o luto
A miséria e o luto e outa vez a fome
Acendemos cigarros em fogos de napalm
E dizemos amor sem saber o que seja.
José Saramago
E dizemos amor sem saber o que seja. E dizemos amor sem saber o que seja. E dizemos amor sem saber o que seja. Não sentem? Estas palavras doem, vivem, ensinam.
Amor não é fogo, nem arde sem se ver. Amor não é algo que se tem, que se possui.
Amor é algo que se dá. Que se faz a outrém.
Amor é dar. Um sorriso. Um olhar. Uma ajuda. Amor é querer, é disponibilizar-se, é entender, é perdoar, é começar de novo. O Amor só é pleno quando sai de nós.
Amor é praticar, amor é aprender, amor é preocupar-se, amor é temer por alguém, amor é passar a fronteira do individualismo e gostar.
Amor, LÁ NO FUNDO todos nós temos algum. Mais do que pensamos.

Quem é,quem é, quem é racista, quem é?

De acordo com o relatório do Observatório Europeu dos Fenómenos Racistas e Xenófobos, 62,47 por cento dos portugueses estavam em 2003 contra a entrada de mais estrangeiros em Portugal http://www.rtp.pt/index.php?article=161239&visual=16. Como já é normal, desde os mais altos responsáveis políticos à comunicação social, só interessa o superficial e o grau de impacto. Os números são claros, pensaríamos todos. Mas não são!
Pergunto: quem será mais racista, um empregado precário de baixa escolaridade e formação, que pelo que vê ouve no dia-a-dia se sente ameaçado no seu emprego e na sua sobrevivência ou um empresário pragmático que vê nestes imigrantes uma forma de redução de custos e de pressionar os trabalhadores nacionais a serem mais passivos e obedientes? que, no fundo, alimenta um conceito de escravatura moderna? que pensa: quantos mais melhor, pois são mais qualificados, mais baratos e menos protegidos pela lei. Enfim, o verdadeiro 3 em 1 do marketing da oferta laboral. Uma vergonha!
Por isso LÁ NO FUNDO sabe que a maior parte dos racistas convictos estão no outro grupo, no que quer a vinda dos imigrantes, no que não se preocupa com as suas condições de trabalho e sobrevivência, nos que deviam zelar pelo cumprimento da lei, nos que, com grandes responsabilidades p0líticas e mediáticas falam do emprego de imigrantes por oposição aos nacionais, nos que ganham votos à custa de alimentar este ódio na ignorância e no temor. Nos que deveriam, ao longo dos anos, ter acabado com um modelo trabalho intensivo e explorador. Nos que sugaram milhões de fundos comunitários que deveriam ter modernizado o País, conferindo-lhe capacidades de inovação, renovação e criação de valor acrescentado. Nos que podendo investir a longo prazo, pensaram sempre no lucro imediato. Nos que olham para o lado, para não sentirem a culpa. Nos que pregam caridade como remendo do buraco que ajudam a abrir. Nos que não comprendem a pobreza, a escondem e a negam. Porque a odeiam, seja porque já o foram ou porque a temem. Nos que são incapazes de perceber os problemas que a carência promove. Nos que olham lá de cima e tudo percebem, ajudados de dezenas de apaniguados...
Porque muitos destes portugueses, agora dados como Xenófobos estariam em igual medida contra a entrada de um novo trabalhador no seu local de trabalho, pois em Portugal não se criaram metedologias de trabalho em equipa, não se promove o sentimento de pertença e de partilha de decisões, de sucessos e de fracassos. Não se recebe contributos, não se dá elogios. Tudo funciona por obrigação e por necessidade. Por isso o trabalho é um sacrifício e quase nunca um motivo de realização pessoal. Por isso a relação laboral é conflituosa e não colaborativa.
Por isso é que enquanto não se redefinir um Quadro de Valores, que vingue no sistema de ensino e deixe de produzir seres individualistas, espertos e vencedores e passe a produzir indivíduos cientes do seu papel social, conscientes e empenhados, nada mais conseguiremos que cair mais LÁ NO FUNDO