Thursday, March 17, 2005

Quem é,quem é, quem é racista, quem é?

De acordo com o relatório do Observatório Europeu dos Fenómenos Racistas e Xenófobos, 62,47 por cento dos portugueses estavam em 2003 contra a entrada de mais estrangeiros em Portugal http://www.rtp.pt/index.php?article=161239&visual=16. Como já é normal, desde os mais altos responsáveis políticos à comunicação social, só interessa o superficial e o grau de impacto. Os números são claros, pensaríamos todos. Mas não são!
Pergunto: quem será mais racista, um empregado precário de baixa escolaridade e formação, que pelo que vê ouve no dia-a-dia se sente ameaçado no seu emprego e na sua sobrevivência ou um empresário pragmático que vê nestes imigrantes uma forma de redução de custos e de pressionar os trabalhadores nacionais a serem mais passivos e obedientes? que, no fundo, alimenta um conceito de escravatura moderna? que pensa: quantos mais melhor, pois são mais qualificados, mais baratos e menos protegidos pela lei. Enfim, o verdadeiro 3 em 1 do marketing da oferta laboral. Uma vergonha!
Por isso LÁ NO FUNDO sabe que a maior parte dos racistas convictos estão no outro grupo, no que quer a vinda dos imigrantes, no que não se preocupa com as suas condições de trabalho e sobrevivência, nos que deviam zelar pelo cumprimento da lei, nos que, com grandes responsabilidades p0líticas e mediáticas falam do emprego de imigrantes por oposição aos nacionais, nos que ganham votos à custa de alimentar este ódio na ignorância e no temor. Nos que deveriam, ao longo dos anos, ter acabado com um modelo trabalho intensivo e explorador. Nos que sugaram milhões de fundos comunitários que deveriam ter modernizado o País, conferindo-lhe capacidades de inovação, renovação e criação de valor acrescentado. Nos que podendo investir a longo prazo, pensaram sempre no lucro imediato. Nos que olham para o lado, para não sentirem a culpa. Nos que pregam caridade como remendo do buraco que ajudam a abrir. Nos que não comprendem a pobreza, a escondem e a negam. Porque a odeiam, seja porque já o foram ou porque a temem. Nos que são incapazes de perceber os problemas que a carência promove. Nos que olham lá de cima e tudo percebem, ajudados de dezenas de apaniguados...
Porque muitos destes portugueses, agora dados como Xenófobos estariam em igual medida contra a entrada de um novo trabalhador no seu local de trabalho, pois em Portugal não se criaram metedologias de trabalho em equipa, não se promove o sentimento de pertença e de partilha de decisões, de sucessos e de fracassos. Não se recebe contributos, não se dá elogios. Tudo funciona por obrigação e por necessidade. Por isso o trabalho é um sacrifício e quase nunca um motivo de realização pessoal. Por isso a relação laboral é conflituosa e não colaborativa.
Por isso é que enquanto não se redefinir um Quadro de Valores, que vingue no sistema de ensino e deixe de produzir seres individualistas, espertos e vencedores e passe a produzir indivíduos cientes do seu papel social, conscientes e empenhados, nada mais conseguiremos que cair mais LÁ NO FUNDO

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