Thursday, March 31, 2005

Polvus Isaltinus

Tirei uns tempos para reflectir. O que aqui digo já não me parece tão importante quanto isso. A importância já não está no que dizemos mas em quem e como percebe o que dizemos...
Ainda assim não posso deixar passar esta personagem feita de ridículo, de pretensão e de sinistro. Isaltino Morais é sem dúvida um expécime supremo do produto dos valores da sociedade em que vivemos. Não julgo ninguém à priori mas do que diz e faz transparece toda a sua capacidade de mover os seus tentáculos, de retirar proveitos, de influenciar, de contornar. Não se notam as parecenças com Valentim?
E o homem escreve sobre Autarcas-Modelo, ele dá palestras e outras tretas, ele ensina! Pasme-se! Que futuro queremos nós quando escolhemos estes modelos e estes veículos de mudança?
Andaremos todos cegos ou LÁ NO FUNDO todos invejamos este sucesso velhaco, trapaçeiro e facilitista?

Thursday, March 24, 2005

A Páscoa

Todos os momentos são bons para parar e pensar. Se puderem olhar à vossa volta vão encontrar uns que vão de férias à quinta-feira e outros que trabalham sábado e até domingo. Vão encontrar pessoas arrastando-se desesperadas. Pessoas que se vêem sem dignidade e sem apoios. Pessoas irrealizadas. Pessoas inteligentes que não encontram o caminho do sucesso. Capital Humano subaproveitado e incompetência promovida. Se parar-mos para pensar, pode ser que, LÁ NO FUNDO, estejamos a fazer alguma coisa para que tudo mude.

Tuesday, March 22, 2005

EUA como modelo

Preocupa-me.
Portugal não está na vanguarda em quase nada. Quando passa num caminho já por lá passaram a maioria dos seus concorrentes. Assim sendo como podemos passar o tempo a ver o nosso futuro, os caminhos que podemos percorrer, e ainda assim, podendo ver as consequências os resultados, possamos permanentemente optar por maus caminhos, por caminhos que vemos já hoje nos levarão ao conflito social permanente, à crise de valores, à injustiça e à desigualdade?
A vantagem de quem segue é poder emendar: porque não seguimos os bons exemplos e emendamos os maus? Como podemos chegar mais longe se assim não fizermos?
Os EUA preocupam-me. Preocupa-me a violência. Preocupa-me a crise de valores. Preocupa-me o desrespeito pela vida humana. Preocupa-me a ignorância de uns líderes e a cegueira de inspiração divina de outros. Preocupam-me os exemplos que disseminam. Preocupam-me as extinções culturais que fazem. Os motivos com que agem. Os adeptos que com facilidade alimentam por todo o mundo. Preocupa-me as armas que têem e usam. Preocupa-me as alianças e os ódios que criam, alimentam e geram. Preocupa-me que sejam eles a construir o ideal ocidental que ficará na História. Preocupa-me o Racismo, a desigualdade de oportunidades, a força.
Preocupa-me que o país das oportunidades, o país do sucesso, do desenvolvimento, dos grandes avanços seja um bolo de muitas camadas e ingredientes, de muita fachada e de muita injustiça, de muitas mentiras e de muitos insucessos. Um bolo temível e invejado.Um bolo repleto de caruncho e de sangue.
Esta reflexão vem a propósito do recente assassínio em massa numa escola americana, como poderia vir a propósito da Querra do Iraque, da contribuição americana para o financiamento da ONU, do protocolo de Quioto, do combate ao terrorismo, das armas de destruição maciça, da pena de morte, do peso da corrente e pensamento de Paul Wolfowitz, do papel na resolução do conflito Palestiniano, das ligações aos interesses judeus, da disseminação de armas entre cidadãos, do papel da Igreja ou de tantas outras questões.
A América não deve ser alvo de ódios ou amores cegos. Mas deve ser compreendida. Compreendida!
Os seus interesses, os seus vícios e os seus ensinamentos!
Pois á luz da História será um modelo tão passageiro como todos os do Passado.

Friday, March 18, 2005

Alma nua

Procuro em ti
Procuro alguém para entrar no meu mundo.
Capaz de dizer sim.
Capaz de fraquejar e sentir fundo,
capaz de entender e de vencer.
Procuro o princípio, o meio e o fim.
O sal, a areia... o vento, em mim.
Quero crescer
em ti,
quero dar a sentir,
quero dar o sentido.
Partir, colar, sonhar acordado
em ti.
Voar, nadar, viver em ti.
LCRM

Thursday, March 17, 2005

Palavras Todas

Aqui na Terra a fome continua
A miséria e o luto
A miséria e o luto e outa vez a fome
Acendemos cigarros em fogos de napalm
E dizemos amor sem saber o que seja.
José Saramago
E dizemos amor sem saber o que seja. E dizemos amor sem saber o que seja. E dizemos amor sem saber o que seja. Não sentem? Estas palavras doem, vivem, ensinam.
Amor não é fogo, nem arde sem se ver. Amor não é algo que se tem, que se possui.
Amor é algo que se dá. Que se faz a outrém.
Amor é dar. Um sorriso. Um olhar. Uma ajuda. Amor é querer, é disponibilizar-se, é entender, é perdoar, é começar de novo. O Amor só é pleno quando sai de nós.
Amor é praticar, amor é aprender, amor é preocupar-se, amor é temer por alguém, amor é passar a fronteira do individualismo e gostar.
Amor, LÁ NO FUNDO todos nós temos algum. Mais do que pensamos.

Quem é,quem é, quem é racista, quem é?

De acordo com o relatório do Observatório Europeu dos Fenómenos Racistas e Xenófobos, 62,47 por cento dos portugueses estavam em 2003 contra a entrada de mais estrangeiros em Portugal http://www.rtp.pt/index.php?article=161239&visual=16. Como já é normal, desde os mais altos responsáveis políticos à comunicação social, só interessa o superficial e o grau de impacto. Os números são claros, pensaríamos todos. Mas não são!
Pergunto: quem será mais racista, um empregado precário de baixa escolaridade e formação, que pelo que vê ouve no dia-a-dia se sente ameaçado no seu emprego e na sua sobrevivência ou um empresário pragmático que vê nestes imigrantes uma forma de redução de custos e de pressionar os trabalhadores nacionais a serem mais passivos e obedientes? que, no fundo, alimenta um conceito de escravatura moderna? que pensa: quantos mais melhor, pois são mais qualificados, mais baratos e menos protegidos pela lei. Enfim, o verdadeiro 3 em 1 do marketing da oferta laboral. Uma vergonha!
Por isso LÁ NO FUNDO sabe que a maior parte dos racistas convictos estão no outro grupo, no que quer a vinda dos imigrantes, no que não se preocupa com as suas condições de trabalho e sobrevivência, nos que deviam zelar pelo cumprimento da lei, nos que, com grandes responsabilidades p0líticas e mediáticas falam do emprego de imigrantes por oposição aos nacionais, nos que ganham votos à custa de alimentar este ódio na ignorância e no temor. Nos que deveriam, ao longo dos anos, ter acabado com um modelo trabalho intensivo e explorador. Nos que sugaram milhões de fundos comunitários que deveriam ter modernizado o País, conferindo-lhe capacidades de inovação, renovação e criação de valor acrescentado. Nos que podendo investir a longo prazo, pensaram sempre no lucro imediato. Nos que olham para o lado, para não sentirem a culpa. Nos que pregam caridade como remendo do buraco que ajudam a abrir. Nos que não comprendem a pobreza, a escondem e a negam. Porque a odeiam, seja porque já o foram ou porque a temem. Nos que são incapazes de perceber os problemas que a carência promove. Nos que olham lá de cima e tudo percebem, ajudados de dezenas de apaniguados...
Porque muitos destes portugueses, agora dados como Xenófobos estariam em igual medida contra a entrada de um novo trabalhador no seu local de trabalho, pois em Portugal não se criaram metedologias de trabalho em equipa, não se promove o sentimento de pertença e de partilha de decisões, de sucessos e de fracassos. Não se recebe contributos, não se dá elogios. Tudo funciona por obrigação e por necessidade. Por isso o trabalho é um sacrifício e quase nunca um motivo de realização pessoal. Por isso a relação laboral é conflituosa e não colaborativa.
Por isso é que enquanto não se redefinir um Quadro de Valores, que vingue no sistema de ensino e deixe de produzir seres individualistas, espertos e vencedores e passe a produzir indivíduos cientes do seu papel social, conscientes e empenhados, nada mais conseguiremos que cair mais LÁ NO FUNDO

Wednesday, March 16, 2005

Freitas: o Oprimido

LÁ NO FUNDO Freitas não foi buscar o PS. Foi o PS que foi buscar Freitas.
Freitas fundou o CDS. Não foi o CDS que apagou Freitas.
Nem o PS nem Freitas estão onde se poderá à primeira vista pensar que estejam.
Se o mundo é feito de mudança, que fosse no sentido de garantir melhores condições para o País se desenvolver, no sentido de combater a pobreza, a desigualdade. Não no sentido do controle do Poder pelo Poder e para os Poderes.
Mas porque o ódio nunca muda; Porque se alimenta da frustração e da ignorância; Porque é maquiavélico e brilhante; porque se esconde atrás da demagogia; o PP mostrou um pouco das suas garras, abriu um bocadinho da caixa, perdeu um bocadinho do autocontrole. Pena é que não se assumam. Que acordem o vulcão de radicalismo que disfarçam com cuidado.
É pena. Era tão útil uma clarificação.

Na vida como no Xadrez

O Editorial do Expresso desta semana prega "As pessoas não são peões - que se tiram e põem consoante as nossas conveniências" a propósito da forma como Santana Lopes usa o seu amigo Carmona Rodrigues.

É um tema para pensar. LÁ NO FUNDO este é hoje um comportamento generalizado: quando se procura a todo o custo o sucesso, seja ele encarnado num cargo, num emprego, em rendimentos, em lucros, em audiências, em reconhecimento público, esquece-se que há escolhas que podem ser feitas. O bom e o mau caminho. Perdeu-se o como e reteve-se o fim: se leva ao sucesso é bom. Se levar ao sucesso mais rápido é melhor ainda. O como se chega não interessa. Chegar, sim, é importante.

Um Barómetro com Tesão

Pertinente barómetro e quente resultado encontrei eu no Expresso Online. Eis a melhor reprodução que consegui:

BarómetroAcha que a Igreja vai acabar por aceitar a utilização do preservativo?
A. Sim 69.00%

B. Não 31.00%

Votar

1- LÁ NO FUNDO o que é que isso interessa?
2- Quem vai ser o parceiro da dita Igreja nessa relação sexual segura?
3-69 com preservativo. E com sabor?
4-Os crentes cumprirão com tanta intensidade a restante doutrina quanto não cumprem ( e bem) esta?
5- Perante um carro 99% pintado de amarelo quantos responderiam que a sua cor iria ser vermelha?

Proposta para o próximo Barómetro:

Será que o preservativo aceitará ser usado pela Igreja?

É o dinheiro sujo?

LÁ NO FUNDO o dinheiro não é sujo. Não tem cor. Não tem Valores. Não tem Palavra. As pessoas essas podem ser sujas. Não ter palavra. Não ter Valores. Augusto Pinochet teve dinheiro no Banco Espírito Santo. http://tsf.sapo.pt/online/internacional/interior.asp?id_artigo=TSF159695 E depois? dirão muitos.
Quantos dos que hoje pregam contra Monstros, os conceberam, os ajudaram a nascer, os educaram, os alimentaram, os elogiaram ou simplesmente viraram o olhar: não é nada comigo, pensaram. Quantos ditadores, quantos? Quantas boas famílias africanas têm pequenos interesses em Portugal? Quanto ouro judeu, quantas armas iraquianas, quanta hipocrisia ainda temos para vender?
Os responsáveis poderiam nem saber. Porque o problema não está no dinheiro. Está dentro do ser humano: LÁ NO FUNDO.

Sem a loucura, que somos?

(...) sem a loucura que é o Homem
mais do que a besta sadia
cadáver adiado que procria?
Fernado Pessoa
Quem nos impõe os limites, quem diz não vás por aí, quem decide, quem joga com as expectativas, com a ignorância, com a depêndencia, com a carência, com a falta, com o desejo?
Não temos todos que ser génios, não temos todos que ser santos. Mas, ao olhar o espelho quero perceber que sou eu que ali estou! EU. Que gosto do que vejo e do que sinto. Que não sou outro ou quero ser. Que fiz a minha diferença e vivo a minha loucura!

A QUEM

LÁ NO FUNDO é para quem nunca se vende. Para quem se constroi e se renova. Para quem cresce e se pergunta. Para quem dá e para quem se sente. Para quem se preocupa. Para quem sabe que tem valor.
LÁ NO FUNDO é para quem se vende às vezes. Porque é preciso. Porque teve que ser.
LÁ NO FUNDO é anda para quem se vende sempre. Porque são o Camaleão e o Icon do Sucesso. Porque são os vencedores do Jogo. Porque se parecem connosco. Porque são espertos.

O PORQUÊ

LÁ NO FUNDO o que pretende é ser voz, sentir voz e dar voz. Às vezes será ácido. Às vezes irónico. Às vezes doce. Às vezes crente. Será sempre libertação. Será sempre luz. Será sempre um desafio a olhar adentro, a fundo. Para além do imediato. Do óbvio. Do vulgar. Do que te dizem. Do que te fazem pensar. Do adquado. Do normal. Do que tem que ser.
LÁ NO FUNDO não vai ser fácil, nem sempre intelegível, nem sempre literal...